Muitos fatores podem levar à disfunção cognitiva ou às temidas falhas de memória. A doença mais conhecida, que prejudica a memória, é a Doença de Alzheimer. O Alzheimer é uma síndrome demencial, progressiva, degenerativa, crônica e incurável. O paciente que tem este diagnóstico começa apresentando pequenos esquecimentos. Esquece nomes de conhecidos, compromissos e em fases avançadas da doença não lembra como se realizam atividades básicas do cotidiano, o que traz grande impacto à sua funcionalidade e qualidade de vida. Esta é uma doença que merece atenção e esclarecimentos. Em breve falaremos só sobre este tema, mas o artigo de hoje é sobre falhas de memória e nem só o Alzheimer traz este tipo de sintoma.

Sabemos que doenças cardiovasculares, como o infarto e o AVC, assim como sangramentos cerebrais causados por pancadas, acidentes ou quedas, o estresse, a depressão não tratada, as doenças metabólicas como disfunção da tireoide ou diabetes, os tumores cerebrais e as doenças neurodegenerativas, como o Parkinson, também podem apresentar esquecimentos como sintomas. Porém, quando falamos de idosos, a sensibilidade cognitiva é maior. Desidratação, infecções, má alimentação, noites mal dormidas, mudanças ambientais, internação hospitalar, déficit visual ou auditivo e uso inadequado de algumas medicações também podem resultar em sintomas como confusão mental, falha de memória e fala desconexa. Sempre que o idoso apresentar qualquer um desses sintomas procure atendimento. Além desses casos, em que há um diagnóstico definido ou um fator externo que provoque os esquecimentos, não podemos deixar de falar dos idosos que sofrem com falta de memória por “desuso”. Isso é muito comum em idosos que foram ativos a vida toda, trabalhavam fora e então se aposentam. Eles não planejaram essa fase, parecia que nunca ia chegar, então quase não saem mais, não têm mais compromissos agendados, nem atividades externas e passam o dia assistindo TV. Esta manifestação também é comumente observada em idosos que sofreram quedas, ou tiveram algum agravo de saúde que exigiu maiores cuidados, e agora são superprotegidos pela família. É claro que os filhos e netos têm as melhores intenções, mas eles não se dão conta de que dessa forma limitam a cognição e a funcionalidade do idoso. Esses idosos, antes ativos, agora recebem passivamente as informações, não precisam mais solucionar problemas, nem lhe são cobradas respostas, deixam de forçar seu cérebro e seu raciocínio. Assim, vão surgindo pequenos esquecimentos e confusões, que podem ser melhorados facilmente com estimulação cognitiva e ao envolver esses idosos em atividades de seu interesse. Mesmo que o idoso tenha risco de quedas ou dificuldade de coordenação manual ele pode, por exemplo, ajudar a escolher feijão, dobrar panos de prato, apertar um parafuso, dentre outras atividades, desde que as realize em segurança e tenha motivação para fazê-las. Nunca faça tudo pelo idoso! É importante para sua autoestima que ele se sinta útil e importante. Vocês já conheceram alguns fatores que podem comprometer a cognição dos idosos. O que podemos fazer para ajudá-los? Para quem tem prejuízos funcionais decorrentes da falta de memória a estimulação cognitiva é um recurso potente. É utilizada por Terapeutas Ocupacionais em sua prática clínica, onde habilidades mentais são estimuladas conforme a necessidade e capacidade do paciente. Podem ser realizados exercícios com auxílio de jogos, palavras cruzadas, relaxamento, técnicas de memorização, realidade virtual, etc. Os exercícios são desenvolvidos conforme a necessidade, nível de comprometimento, motivação e histórico do paciente. Hoje sabe-se que o cérebro humano tem a capacidade de criar novas conexões neuronais, como resposta a uma necessidade de adaptação. Esta habilidade, antes era desconhecida, é chamada de Neuroplasticidade. A Neuroplasticidade é uma das principais bases de todo processo de reabilitação. Na estimulação cognitiva o plano de tratamento é sempre individualizado e direcionado para atingir as necessidades específicas do paciente.

Vejam algumas sugestões que todos podem realizar para potencializar sua cognição, mas fica o alerta: para fins de tratamento procure um profissional especializado!1) Escove os dentes com sua mão não dominante

2) Pratique atividade física regularmente

3) Não leve lista de supermercado

4) Durma bem

5) Tenha Hobbies, escute música (pode cantar junto), pratique leitura

6) Abuse de jogos, passatempos e aplicativos de estimulação cognitiva ou neuróbia

7) Em casa, caminhe “de ré”

8) Conheça novos lugares e descreva, mesmo que para você mesmo e mentalmente, os detalhes do local

9) Beba bastante água

10) Sorria mais!